Circuncisão feminina: até quando? – Brasil Post

Matéria de Gabriela Loureiro para o Brasil Post

Há 125 milhões de meninas e mulheres com seus órgãos genitais cortados ou costurados e outras 86 milhões devem passar pelo mesmo tormento até 2030 sob justificativas “culturais”.

A informação é da Organização das Nações Unidas (ONU), que está em campanha nesta quinta-feira (6) por ocasião do Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina.

Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU, afirma que não há motivo religioso, da ordem da saúde do do desenvolvimento para mutilar uma menina ou uma mulher.

Segundo a ONU, a mutilação genital feminina (MGF) é mais aplicada em meninas de até 15 anos. A prática é mais arraigada em 29 países da África e Ásia.

Uma das justificativas mais comuns para a mutilação genital feminina, também chamada de circuncisão feminina, é a de que a prática reforça a virgindade, castidade e fidelidade em mulheres. Segundo um relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) divulgado no ano passado, a maioria das razões apresentadas por homens e mulheres foram higiene, aceitação sexual, melhores propostas de casamento, para preservar a virgindade, mais prazer sexual para o homem e aprovação religiosa. Entre as mulheres, a razão mais apresentada foi aceitação cultural, como parte de um “ritual de formação das mulheres”.

No Egito, onde 91% das mulheres com idades entre 15 e 49 anos, tiveram parte ou toda a parte externa da vagina cortada, a justificativa é estética. Segundo a ativista Efua Dorkenoo, advogada da luta contra a prática pela Equality Now, a parte externa dos genitais femininos são vistos como algo feio e sujo que precisa ser removido. Em algumas áreas do Egito, as pessoas acreditam que, se não for retirado, o clitóris pode crescer e ficar parecido com um pênis.

No âmbito religioso, grupos muçulmanos que praticam a mutilação dizem que é uma obrigação religiosa, ainda que não esteja no Corão. Também não é uma exclusividade dos muçulmanos, há grupos católicos e indígenas que também defendem a prática.

A MGF continua quase universal em países como Somália (98% das mulheres), Guinea (96%), Djibuti (93%) e Egito (91%), e houve pouco declínio perceptível no Chade, Gambia, Mali, Senegal, Sudão ou Iêmen, segundo o estudo. Por outro lado, o relatório sublinha que a prática está em queda.

Em 2008, a ONU lançou um programa em 15 países africanos para acabar a prática através da educação e com um enfoque cultural. Nos primeiros cinco anos do programa, mais de 10.000 comunidades renunciaram à prática, também chamada de ablação e a porcentagem de mutilação baixou 53%. Nos últimos anos, países como Uganda, Quênia e Guiné-Bissau aprovaram leis contra a mutilação genital feminina.

Nesta quinta, a ONU promove uma campanha no Twitter contra a MGF, com a hashtag #endfgm. Organizações, instituições de caridade e veículos de imprensa estão engajados na causa, pedindo assinaturas em petições contra a circuncisão.

O que é: qualquer procedimento que envolve remoção parcial ou total da parte externa da genitália feminina, ou qualquer ferimento aos órgãos genitais femininos por motivos que não sejam médicos. É reconhecido internacionalmente como uma violação aos direitos humanos de meninas e mulheres e reflete a profunda desigualdade entre os sexos.

Há quatro tipos de circuncisão: remoção parcial ou total do clitóris e prepúcio do clitóris; remoção parcial ou total do clitóris e dos lábios menores, tirando ou não os lábios maiores; diminuição do orifício vaginal cortando e costurando os lábios maiores ou menores para criar uma espécie de “selo”, e perfurações, entalhamento, raspagem e cauterização sem fins médicos.

 

Fonte: Circuncisão feminina: até quando? – Brasil Post

Sobre fmvalmeida

Jornalista fascinado pela África, Esportes, Internet e tudo que esta profissão proporciona. Contato: fmvalmeida@yahoo.com.br Twitter: @fmvalmeida Facebook: /fmvalmeida
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