Angola – Rumo às tensas eleições: 31 de agosto

Angola irá para a sua teórica terceira eleição desde a independência de Portugal, firmada em 11 de novembro de 1975. O partido da situação é o MPLA (Movimento Popular de Libertação Nacional de Angola) com outras oito coligações buscando os votos dos nove milhões de eleitores registrados do país; sendo o mais forte deles a UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola). A data marcada para a escolha de um novo presidente é o dia 31 de agosto.

Assim como a maioria das eleições em solo africano, a tensão nas prévias do pleito também segue presente em Angola, principalmente devido ao problemático histórico do país e ao consequente poder concentrado nas mãos do presidente José Eduardo dos Santos. Antes de detalhar estas duas questões, vale lembrar que o mandatário está no poder desde 1979 – fato que o deixa no topo dos governantes africanos com o maior tempo no poder ao lado de Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, de Guiné Bissau, que também assumiu as rédeas de seu país neste ano.

Resumindo o histórico problemático, pode-se falar que nas primeiras eleições, em 1992, após a guerra civil, José Eduardo dos Santos alcançou 49% e acabou ficando no poder pois os conflitos recomeçaram. O opositor Jonas Savimbi morreu e 2002 e novo pleito foi acionado em 2008, com o MPLA levando 82% dos votos e a UNITA, maior opositora, saindo de 34% dos votos conquistados em 1992 e caindo para apenas 10% 16 anos depois.

Nestas duas eleições, principalmente em 2008, a oposição foi amedrontada e relatos de irregularidades pró-governo foram constatadas pelos observadores internacionais. No pleito deste ano, a UNITA já levantou a voz para apontar as irregularidades do Comitê Nacional Eleitoral, além de outros problemas pré-eleição, e ameaçou desistir da candidatura, o que obviamente facilitaria ainda mais as ações do MPLA e tenderia a gerar uma resposta dos opositores fora das urnas, podendo iniciar mais uma guerra civil.

Lembrando também que a liberdade de imprensa é quase inexistente – pelos relatos de organizações combativas a este tipo de ação governamental – e a opressão a manifestações, como as posteriores ao início da Primavera Árabe, é forte e presente.

 

* Detalhes sobre as eleições de 1992 e 2008, além das prévias de 2012: Angola – Eleições em Angola de 2012. Breve História

*Tensões há pouco mais de um mês das eleições 2012: Angola – the pre-electoral environment becomes tense

Sobre fmvalmeida

Jornalista fascinado pela África, Esportes, Internet e tudo que esta profissão proporciona. Contato: fmvalmeida@yahoo.com.br Twitter: @fmvalmeida Facebook: /fmvalmeida
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