Malawi – Bingu wa Mutharika e seus devaneios ditatoriais

O presidente do Malawi, Bingu wa Mutharika, pode ter tomado uma desastrosa decisão. Na última semana de abril, o pequeno país africano oficializou a expulsão do embaixador da Grã-Bretanha, Fergus Cochrane-Dyet. O motivo para tal ação não deixa de ser um pouco irônico. O representante dos britânicos no Malawi criticou a maneira de governar de Mutharika, chamando-o abertamente de “autocrata e intolerante a críticas”. O aumento indevido do controle da imprensa nacional – que geraram protestos de jornalistas nas ruas de Blantyre – através de leis que visivelmente vão contra a liberdade de expressão só deixa claro o caminho escolhido por Bingu e dá o devido pretexto para a fala de Cochrane-Dyet.

A decisão de tornar o embaixador persona non grata em solo malawiano teve uma rápida réplica dos britânicos. A responsável dos assuntos malawís na Grã-Bretanha, Flossie Gomile-Chidyaonga, foi expulsa do país europeu e teve seu convite ao casamento real cancelado. Além disto, o secretário de estado britânico comunicou que o ato de Bingu terá consequências. Uma provável retaliação do governo do país da rainha não parece preocupar Bingu. O mandatário do Malawi se exaltou em discurso político na cidade de Ekwendeni, no centro norte do país africano – perto de Mzuzu, e disparou contra a oposição e seus “seguidores europeus” chamando-os de “estúpidos”.

Para deixar claro o possível efeito desastroso de uma revisão do relacionamento entre os dois países citarei alguns poucos números da díade doador/recebedor formada por Malawi e Grã-Bretanha. O Nyasa Times e outros sites pesquisados falam em 74 milhões de libras (cerca de R$ 196 milhões) recebidos pelo governo do Malawi doados pela Grã-Bretanha. Deste montante, 39% teoricamente foram destinados para a saúde e 22% para a educação no país africano. Ainda estava prevista antes deste atrito diplomático uma doação média de 93 milhões de libras (R$ 246,5 milhões) por ano até 2015.

Sinceramente tenho minhas dúvidas se a ação do embaixador ao criticar de maneira nada ‘diplomática’ tenha sido o correto a se fazer. Porém, o ato aparentemente impensado de Mutharika não apenas confirma os dizeres de Dyet, mas também atesta a incapacidade democrática do presidente de lidar com uma situação que exige paciência e, no mínimo, respostas mais inteligentes. Bingu aos poucos vai perdendo o controle do seu gênio ditatorial, deixando a esmagadora parte da população ainda mais na miséria e sem a base necessária para alavancar o desenvolvimento do país. Com isso, a tão esperada auto-suficiência – não necessitar de doação externa – sonhada por todos fica cada dia mais longe.

Sobre fmvalmeida

Jornalista fascinado pela África, Esportes, Internet e tudo que esta profissão proporciona. Contato: fmvalmeida@yahoo.com.br Twitter: @fmvalmeida Facebook: /fmvalmeida
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2 respostas a Malawi – Bingu wa Mutharika e seus devaneios ditatoriais

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