Egito: Futuro imprevisível

É realmente difícil prever o que de fato ocorrerá depois do discurso feito ontem (10) pelo presidente Hosni Mubarak dizendo que não deixará imediatamente o poder do Egito. Apesar de delegar grande parte de suas funções para o vice Omar Suleiman, Mubarak continuará a influenciar as decisões do governo egípcio e isto poderá ter grande influência nas eleições de setembro. Isto claro se os protestos nas ruas do país cessarem e o povo voltar à rotina diária, falhando na tentativa de acabar com o reinado de quase 30 anos de Mubarak – que está no poder do Egito desde outubro de 1981.

O povo egípcio não aceitou a permanência do ditador na presidência e ainda protesta nas ruas e praças de cidades como Mahala, Tanta, Alexandria, Ismailia, Suez e na capital Cairo. Resta saber agora qual será a posição tomada pelo exército do país em relação aos protestos; unir-se aos manifestantes – como garantido por pessoas que ocupam a Praça Tahrir, no Cairo –, ou ficar leal ao governo observando os protestos ou intervindo com o intuito de obrigar a população a voltar à rotina diária.

Um dos meus receios é a continuação de Mubarak na presidência até setembro, fato que poderá despertar uma ira incontrolável da população levando a conflitos e um número ainda maior de mortos e feridos. Outro medo pessoal é a manipulação de votos na eleição de setembro feita por Mubarak e seu grupo para eleger um partidário aliado do ditador – fraudes eleitorais são vistas em vários países do mundo, principalmente africanos; com isso, não acho que seria muito difícil Mubarak continuar influente no poder do Egito mesmo após as eleições de setembro.

Sobre fmvalmeida

Jornalista fascinado pela África, Esportes, Internet e tudo que esta profissão proporciona. Contato: fmvalmeida@yahoo.com.br Twitter: @fmvalmeida Facebook: /fmvalmeida
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Uma resposta a Egito: Futuro imprevisível

  1. Trechos da coluna da Miriam Leitão para O Globo – que eu li nO Tempo: “O futuro dirá se o Egito vai manter um regime tutelado pelos militares, como tem sido há décadas, ou se caminhará para ser verdadeiramente democrático.” (…) “As mudanças no Egito aumentam a incerteza no Oriente Média. Não se sabe muito como será o futuro. O que já se sabe é que lá, como em qualquer país do mundo, quando a população vai para uma praça de forma corajosa, persistente e determinada, ela muda o curso da história. Vários capítulos ainda não estão escritos, mas o Egito nas últimas semanas inspirou o mundo e ajudou o Ocidente a fazer um curso intensivo para começar a entender as nuances e diferenças entre os países da região.

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