À procura de conflitos

Ryszard Kapuściński (1932-2007)

Ryszard Kapuściński esteve presente em 27 revoluções e golpes, 12 frentes de guerra, foi condenado ao fuzilamento por quatro vezes e esteve perto da morte em inúmeros momentos de sua vida. Claro que estes fatos não foram meras coincidências. O polonês Kapuściński foi correspondente internacional da Polska Agencja Prasowa (PAP) entre 1958 e 81 e, após isso, cooperou com jornais e revistas de outros países, como, por exemplo, o The New York Times. Sempre perseguiu este tipo de emoção e conseguiu sobreviver a todas elas, morrendo em 2007 vítima de problemas no coração. Sua insaciável sede por aventura e, principalmente, boas histórias o levou à África, Ásia, Europa e Américas. Seus livros são uma aula de audácia na busca pelo fato e de uma ótima escrita que leva o leitor a se afundar nos diversos lugares vivenciados por Kapuściński.

Comprei “A guerra do futebol” e “O imperador” e li ambos com certa rapidez incomum – não sou dos leitores mais rápidos. O primeiro é uma compilação de coberturas jornalísticas de Ryszard Kapuściński na África e América Latina nas décadas de 1960 e 70 entrelaçados a um esboço de livro que ele diz não ter escrito por “falta de tempo e força de vontade”. As palavras do polonês te transportam a países do leste e oeste do continente africano e ao conflito entre El Salvador e Honduras, que dá nome ao livro. O que me impressionou neste livro foi o jeito destemido – para não dizer um pouco de coragem temperado de loucura – de Kapuściński ao embrenhar-se em lugares extremamente perigosos e conseguir sair com vida e histórias envolventes – tudo isso contando com certa sorte e muita inteligência.

As quase 200 páginas de “O imperador” são uma demonstração de um nada comum, mas extremamente bem feito, modo de escrita jornalística. O livro conta, através de depoimentos de funcionários do império de Hailé Selassié (imperador da Etiópia entre 1930 e 74), como era o cotidiano e os últimos dias daquele peculiar reino. O falecido John Updike, escritor e crítico literário do The New Yorker, definiu bem este livro de Kapuściński: “Uma exibição assombrosa; os entrevistados expõem suas memórias do tempo de Hailé Selassié com uma solenidade mágica que beira a poesia e o aforismo”.

Fica a dica para quem gosta de ler boas e bem escritas histórias. Estou à caça do “Ébano, minha vida na África”, que ainda não tive a oportunidade de decifrar.

Sobre fmvalmeida

Jornalista fascinado pela África, Esportes, Internet e tudo que esta profissão proporciona. Contato: fmvalmeida@yahoo.com.br Twitter: @fmvalmeida Facebook: /fmvalmeida
Esta entrada foi publicada em Uncategorized com as etiquetas , , . ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s