Frases – Fórum das Letras de Ouro Preto

Passaram-se dez dias do fim do Fórum das Letras de Ouro Preto e entrevistas e notícias sobre o evento não faltaram nos jornais, principalmente os de Minas Gerais, internet e afins. Relatarei aqui apenas detalhes de alguns dias e palestras que presenciei nos meus quatros dias de estadia na ex-capital mineira. Penso que algumas frases poderão ilustrar bem algumas discussões do Fórum.

– Alberto Mussa

“A sociedade brasileira, infelizmente, ainda é muito racista”. Logo em seguida, ele cita a polêmica de racismo na obra de Monteiro Lobato, que, para Mussa, não deveria ser adotado pelas escolas.

“O Brasil ainda não tem uma equivalência entre as culturas que formaram a cultura brasileira. Ainda há uma hierarquização de culturas no Brasil”.

– Filinto Elísio

“A África continua a ser marginalizada. Não só pelo mundo, mas pelos próprios africanos. Não sou daqueles africanos que se vitimizam. Os africanos têm de se impor, se promover, colocar a cara. Obviamente que essa marginalização atinge também a cultura. Nós temos necessidade de encontros dessa maneira para as pessoas conhecerem mais a nossa África”.

– João Melo

“A África talvez seja o continente com mais diversidade do mundo”. Ele comenta sobre as várias culturas, imagens e características singulares encontradas na África.

“A grande imprensa brasileira pensa que está em Nova York”. Melo diz que a África é pouco focada pela imprensa brasileira, que só cobre o que as imprensas européias e dos EUA noticiam.

– Luandino Vieira

“Uma palavra pode valer mil palavras. Uma palavra escrita leva a diversas imagens”. Discussão sobre o poder da palavra e suas várias formas de interpretações e imagens.

“Escrevo, pois não sei fazer mais nada”. Luandino conta que começou escrevendo por vaidade, depois continuou para fazer militância e após isso só escreve, pois é a única coisa que consegue fazer realmente bem.

– Ondjaki

“Eu tenho muito medo do esquecimento”. Para ele, a escrita serve como forma de exorcizar a tal lembrança, dominar a tal memória para conseguir deixar aquilo de lado.

“A escrita para mim é uma urgência. É um fascínio pela literatura”. “Escreve-se para saber como é o próximo dia”. “A escrita é uma forma de celebração de estar vivo e de estar a viver”. Ondjaki responde a uma ‘simples’ pergunta de um espectador: ‘Por que você escreve?’

– Rodrigo Lacerda

“Eu escrevo porque tenho medo de morrer. Escrevo também para organizar um pouco a confusão da vida”. Lacerda responde a mesma pergunta do espectador: ‘Por que você escreve?’

“Tudo começa com uma cena”. Ele conta como é o tal estalo para começar a desenvolver um livro. Esta cena citada por Lacerda é, segundo ele, algo que ele viu e despertou certa curiosidade ou estranheza.

– João Ubaldo Ribeiro

“Nos países europeus, infelizmente, o que as pessoas ainda querem em relação ao Brasil são as coisas ditas exóticas, praia, samba, futebol… A Amazônia também está em pauta”. João Ubaldo explana sobre o interesse no exterior pela sua literatura, que foca o ambiente e as histórias locais.

– Décio Pignatari

“A arte e a poesia acabaram, morreram”. “Sou um ex-poeta”. Desculpem-me os fãs incondicionais desse ótimo poeta que é Décio Pignatari – são incomparáveis os seus poemas e a sua inovação, isso é realmente incontestável –, mas ele não estava em sua melhor condição psicológica na palestra ao lado de Frederico Barbosa e Benjamim Abdala. Sinceramente não sei se era apenas um mau-humor momentâneo, consequências do álcool, ou mesmo alguma demência senil. Décio repetia as mesmas frases inúmeras vezes, não respondia as perguntas seguindo um único raciocínio e interrompia a fala dos outros palestrantes.

– Adélia Prado

“Qual arte não fala do cotidiano? Vocês acham que é possível fazer poesias sem as vísceras? Nada disso. Sabem de uma coisa? Não há transcendência que não passe pelas batatas e pelo banheiro”. “Arte é inteligente e é a expressão do afeto das pessoas. E a expressão do afeto está ligada às necessidades primárias”. “A literatura tem sangue, é suja, tem excremento, suor e lágrima”. Ouvir Adélia Prado é um caso a parte. Não anotei todas as suas falas marcantes. Imitei Edney Silvestre, que, em muitos momentos, ficava ‘apenas’ observando Adélia Prado discursar ao lado de Leda Nagle.

*Sei que faltaram muitos escritores/palestrantes a serem citados. Coloquei aqui as palestras que presenciei e os autores destas que me marcaram.

Sobre fmvalmeida

Jornalista fascinado pela África, Esportes, Internet e tudo que esta profissão proporciona. Contato: fmvalmeida@yahoo.com.br Twitter: @fmvalmeida Facebook: /fmvalmeida
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