The Flames

Time de futebol que joga no quintal ao lado da ONG FOCUS (Créditos: Rodrigo Ferreira)

O futebol vem crescendo e se tornando cada vez mais popular na África. A independência dos países do continente, que se intensificou na década de 1960, conteve a perda de talentosos jogadores para as seleções das antigas metrópoles. Eusébio, o maior futebolista da seleção de Portugal – não me venham com Cristiano Ronaldo –, é um bom exemplo desse prejuízo: moçambicano e de descendência angolana, ele rumou para o futebol português, país colonizador de Moçambique e Angola. Hoje, a África ‘produz’ grandes nomes do esporte mundial como o marfinense Drogba – do Chelsea – e o camaronês Eto’o – da Inter de Milão.

Drible brasileiro no campo de terra malawiano (Créditos: Christopher Mwanjabala)

O Malawi não sofreu nenhuma grande perda em seus tempos de colônia, mas vê no futebol um esporte que, assim como aqui no Brasil e em diversos países ditos de ‘terceiro mundo’, une multidões e alimenta a esperança de riqueza de várias crianças. Por eu ser brasileiro, a conversa sobre futebol fluía rapidamente e sem nenhum esforço. Em qualquer parte do mundo somos conhecidos por ser o país do samba e do futebol de Pelé, Ronaldo e Ronaldinho. Lá, a seleção local não é motivo para tantas alegrias como a nossa. Porém, não é difícil encontrar alguém que saiba os resultados da última rodada da Premier League – Campeonato Inglês – ou da seleção malawiana nas eliminatórias para a Copa Africana de Nações, que acontecerá em 2012 no Gabão e na Guiné Equatorial. Nos restaurantes e bancos era possível ver na televisão até jogos do Brasileirão, como já disse aqui no blog.

A seleção do Malawi participou apenas de duas Copas Africanas de Nações e nunca passou da primeira fase da competição. Como você deve estar imaginando, os Flames – como é conhecida a seleção malawiana – também nunca fizeram parte do seleto grupo de países que representaram a África em Copas do Mundo.

Em uma conversa com um vendedor de artesanato em Lilongwe pude entender melhor essa paixão um tanto quanto sofrida que eles têm com a seleção local. Estávamos no dia 4 de setembro e o Malawi havia enfrentado a Tunísia, em solo tunisiano, no dia anterior. Curioso para saber o placar, perguntei a esse vendedor – no qual não lembro o nome – se o Malawi havia vencido. Ele balançou a cabeça negativamente, mas estampando um sorriso no rosto. Acabou me contando que conseguiram arrancar um empate nos minutos finais com um gol de pênalti do craque do time. E ele ainda acrescentou: “Empatamos com a Tunísia, que já foi até à Copa do Mundo”. Eu quis saber mais sobre a estrela dos Flames e fui informado que ele jogava em um time da primeira divisão do futebol russo. Curiosamente, ninguém lembrava o nome do indivíduo e nem o nome do time russo, apenas sabiam que ele estava em terras frias e marcando gols para a seleção de seu país. O craque dos Flames, aliás, chama-se Esau Kanyenda e atua no Rotor Volgograd, da segunda divisão russa – se não me engano. Como já escrevi aqui no blog, o Malawi ocupa a terceira colocação do grupo K nas eliminatórias para a Copa Africana de Nações de 2012.

Muitos outros jogadores da seleção malawiana atuam fora do país. Quase metade – 10 entre 23 – está em clubes da África do Sul, Rwanda tem três e Angola, Suécia e Rússia têm um representante da seleção do Malawi em seus campeonatos. Os jogadores que ainda estão ‘em casa’ somam sete.

Em nível nacional, a Associação de Futebol do Malawi organiza o Standard Bank FAM Cup – como o nosso Brasileirão – e o Bingu wa Mutharika Cup – como a nossa Copa do Brasil. Em 2009, o campeão da Standard Cup, o Tigers, ganhou $7 milhões de kwachas – algo como R$70 mil – e o da Bingu Cup, o Wanderers, levou para casa $10 milhões de kwachas. Acredito que não seja coincidência que a competição que possui o nome do ‘venerável’ presidente Bingu distribua um prêmio maior.

Sobre fmvalmeida

Jornalista fascinado pela África, Esportes, Internet e tudo que esta profissão proporciona. Contato: fmvalmeida@yahoo.com.br Twitter: @fmvalmeida Facebook: /fmvalmeida
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2 respostas a The Flames

  1. Camila diz:

    Adorei a contextualização e a comparação com o Brasil. Eu que não sei muito de futebol, achei o máximo. =)
    Beijus

  2. Juarez diz:

    nao li o texto: é muito grande e eu to na aula. mas achei muito doidas as fotos! hauahuahauhaua

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