Reflexões de um africano

As independências na África tiveram início no fim da década de 1950 e, desde então, os Estados do continente são governados por africanos. Isto mostra como, aos poucos, a veia colonialista vai fechando e os benefícios e malefícios de cada país vão se tornando consequência dos erros e acertos dos próprios africanos. Acusar o passado ‘europeu’ pelas dores do povo passa a ser então apenas uma maneira de fugir da responsabilidade de, no mínimo, dividir esta culpa.

Célestin Monga vive há quase vinte anos em Washington, nos EUA (Créditos: acervo pessoal)

Estas e outras ideias sobre o continente e a sociedade da África são de Célestin Monga, economista-chefe e assessor do vice-presidente do Banco Mundial. Este pensador camaronês tornou-se famoso ao ser preso após criticar o presidente de seu país, Paul Biya, que está no poder de Camarões há longos 28 anos. Em entrevista à Elizabeth Carvalho no programa Milênio, da Globo News, Monga aponta o Brasil como um exemplo de país que, assim como a África, foi uma colônia europeia com escravidão, mas, diferentemente do que se vê em solo africano, conseguiu fazer uma independência de certa forma tranquila e venceu uma ditadura através de protestos, sem resultar em grandes conflitos armados.

O camaronês comenta também sobre desdobramentos de seu recém-lançado livro “Niilismo e Negritude”, sobre a interferência exagerada de algumas organizações internacionais na política e economia africanas e sobre a ‘nova colonização’ do continente pelos chineses, abordando os aspectos positivos e negativos desse avanço oriental.
Porém, o fato mais importante – para mim, claro – tocado por Célestin Monga é a diferença de impacto midiático entre fatos ocorridos em terras “ocidentais” e na África. É aparente o tímido crescimento do noticiário africano em grandes mídias pelo mundo. Contudo, para um fato em solo africano ganhar destaque pelo planeta é preciso que este seja algo de proporções estrondosas como, por exemplo, a chacina em Ruanda, ou um fato que atinja diretamente grandes potências, como os piratas somalis. Como consequência disto – e outros fatores, claro –, depois do fim da Copa do Mundo, apenas a TV Brasil – dentre as mídias brasileiras – permanece com correspondente na África.

*Em tempo: a entrevista de Elizabeth Carvalho com Célestin Monga pode ser vista no site do Milênio, ou nas reprises que acontecem hoje – terça-feira – às 11h30 e 17h30, quarta-feira às 05h30, quinta às 06h30 e domingo às 07h05. Outras entrevistas, fotos e matérias também podem ser conferidas no blog do Milênio.

Sobre fmvalmeida

Jornalista fascinado pela África, Esportes, Internet e tudo que esta profissão proporciona. Contato: fmvalmeida@yahoo.com.br Twitter: @fmvalmeida Facebook: /fmvalmeida
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2 respostas a Reflexões de um africano

  1. Bianatriz diz:

    Entrevista lúcida. Adorei.
    Não conhecia o Célestin Monga e fiquei realmente impressionada com a serenidade com que ele expõe seu pensamento que foge do lugar comum.

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