Simples alimentação

 

Meu primeiro contato com a culinária malawiana

 

Uma das características que define um povo é a sua gastronomia. A pergunta que sempre vem à tona quando falo do Malawi é sobre a culinária. Já antecipo que não sou nenhum expert no assunto; por isso alguns detalhes e comparações poderão ficar vagos ou confusos para a maioria. Acredito que as fotografias que fiz para este post irão ajudar a imaginar como são os pratos malawianos.

 

Mpunga, chambo, dende e molho de tomate com água

 

Em Karonga, a simplicidade e a falta de variedade marcam a culinária local. Todos os dias, o cardápio seguia a mesma linha, com algumas mudanças dependendo do lugar onde iríamos comer. Há cinco ingredientes que costumam ser constantes em todos os restaurantes: nsima, mpunga (arroz), chambo (peixe), nkhuku (frango) e carne bovina. Uma mistura de vegetais chamado ‘dende’ e molho de tomate podem ser servidos como acompanhamento. É claro que há exceções e alguns lugares ofereciam, por exemplo, banana ou feijão.

 

Nsima, dende e carne bovina com Stout, da Carlsberg

 

O alimento mais comum consumido em terras malawianas é a nsima. Além do Malawi, ela é consumida na Zâmbia e comidas semelhantes são encontradas no restante da África Oriental com outros nomes. Sempre comido com a mão – como eu já disse aqui no blog, a nsima é feita, basicamente, de milho branco triturado e água fervendo.

 

Nsima, dende, nkhuku e molho de tomate

 

Esses dois ingredientes são colocados sob fogo alto e misturados com uma colher, ou talher semelhante. Parece simples ao ser lido aqui, mas o processo pode ser considerado uma arte daquele povo. Desde pequenas, as mulheres – sempre elas nas cozinhas malawianas – aprendem a técnica e vão aperfeiçoando-a para deixar a nsima na consistência e temperatura corretas.

 

Você tem a opção de pedir apenas um pedaço de frango também

 

Muitos dizem que a nsima é algo completamente sem gosto. Porém, apesar do meu paladar nada apurado, para mim a nsima tem gosto de… nsima. Por causa de sua consistência, ela lembra um pouco o purê ou até uma polenta.

É bom lembrar que muitas vezes os restaurantes não possuem todos os alimentos aqui listados e o mais simples a fazer é comer o que tiver, ou ir procurar outro lugar.

As bebidas ofertadas são, em sua maioria, bem conhecidas em todo o mundo. Acredito que sejam poucos os lugares onde a Coca-Cola ainda não tenha invadido.

 

Sobo em uma reunião da FOCUS

 

Como consequência disso, podíamos beber Coca, Fanta (laranja e outra estranha que eu lembro o sabor) e Sprite; todas servidas naquelas clássicas garrafas de vidro de 290ml. Além dos produtos da Coca, a dinamarquesa Carlsberg abocanhou o seu pedaço do mercado e tem até fábrica no sul do país, em Blantyre. A Kuche Kuche – ‘The pride of Malawi’ (O orgulho do Malawi) – é feito pela Carlsberg e, sinceramente, teve de ser ingerida algumas vezes para eu aceitá-la completamente. Uma bebida local, chamada Sobo também era uma das opções de bebida em alguns cardápios.

 

Café da manhã diário do Annex Asante

 

Por último, mas não menos marcante, cito aqui o nosso café da manhã no hotel Annex Assante. Apesar de nossos apelos diários, todas as manhãs enfrentávamos a mesma refeição: ovo frito, batatas brilhantes – devido ao exagero de óleo – pão com manteiga e leite ou café em pó. Depois de poucos dias, o café da manhã já era motivo de piada entre nós três.

 

Bebendo Kuche Kuche na varanda do hotel em Nkhata Bay de frente ao Lago Malawi

 

Sobre fmvalmeida

Jornalista fascinado pela África, Esportes, Internet e tudo que esta profissão proporciona. Contato: fmvalmeida@yahoo.com.br Twitter: @fmvalmeida Facebook: /fmvalmeida
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3 respostas a Simples alimentação

  1. Camila diz:

    Amei o post sobre a gastronomia local.
    Agora sim visualizei o que você tentou me contar. =)
    Beijus

  2. Rodrigo Ferreira diz:

    Boa Fefê! O café da manhã era osso mesmo! A Fanta era abacaxi! Carne de boi é ngombe e a gente também comia carne de carneiro, que não me lembro o nome em Tumbuka!
    Yewo, Yewo

    ps: Kuche Kuche mata a pau!

  3. Pingback: A invasão crescente da Coca-Cola | Destino África

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