As consequências do terremoto

Mesmo oito meses depois do terremoto, casas continuam gravemente danificadas

Uma série de terremotos de magnitude entre 4.6 e 6.2 – na escala Richter – atingiu Karonga entre 6 e 21 de dezembro de 2009.  As consequências das mais de 80 trepidações que ocorreram nestes 15 dias ainda são vistas na cidade. Enquanto estivemos lá pudemos observar grandes rachaduras nas casas, igrejas e demais edificações em Karonga e cidades vizinhas, além de algumas poucas residências inabitáveis. Segundo dados do governo, no total houveram quatro mortes, mais de 300 feridos, 4.677 pessoas tiveram de abandonar seus lares e cerca de mil casas foram destruídas. Esses números, porém, não contabilizam os danos causados pelo terremoto do dia 20 de dezembro, que atingiu 6.0 na escala Ritcher. Ou seja, a desgraça foi ainda maior.

A Vila Mwanjabala foi atingida, mas felizmente ninguém morreu

Por coincidência, conhecemos o genro da primeira vítima dos terremotos. Pelo menos foi o que afirmou o simpático Sr. Winston Mwagomba, diretor do The Culture and Museum Center, o museu de Karonga. Visitamos o local onde fica o fóssil do Malawissauro no dia 27 de agosto e, além de outros assuntos, pude conversar com o Sr. Mwagomba sobre o ocorrido.

A cooperativa de café de Misuku Hills, cidade há duas horas de carro de Karonga, também foi atingida

A sua sogra, a Sra. Fostina Ndambo, morreu após ser atingida por uma parede de sua casa, que foi completamente arrasada. Os outros membros da família que estavam na casa da sogra, como cunhados e sobrinhos, sofreram feridos leves ou, felizmente, saíram ilesos.

Como forma de apoio às vítimas do terremoto, a International Federation of Red Cross and Red Crescent Societies (IFRC’s) distribuiu lonas, barracas e kits de abrigo. De acordo com o site nthambazale.com, o presidente Bingu Mutharika doou 2.5 milhões de kwachas (cerca de R$ 25 mil) para 4.000 pessoas que sofreram danos por causa do terremoto e o governo assistiu com milho, feijão, sal, cobertores e utensílios para a cozinha. Outras organizações, como igrejas e ONG’s, forneceram tendas, cobertores, lençóis de plástico e farinha de milho para as vítimas. O nosso amigo Kennedy, por exemplo, tinha uma tenda de plástico que servia de cozinha oito meses depois do terremoto.

Deixo aqui um trecho do depoimento do Sr. Mwagomba – infelizmente não fiz uma foto dele – sobre os dias de tensão em Karonga.

“No primeiro dia tiveram doze ‘movimentos de terra’ que aterrorizaram muita gente. Eu estava na minha casa no momento do primeiro abalo. Imediatamente puxei meus filhos e esposa para fora e vi que vizinhos também fizeram o mesmo. Ficamos um bom tempo na rua com medo de que a nossa casa caísse como aconteceu com no lar da minha sogra. Foi triste saber que um membro da minha família havia morrido por causa daquilo tudo. A minha casa teve uma rachadura enorme na parede. Várias residências em volta da minha caíram ou sofreram grandes danos. Foram dias de muito medo que eu espero não viver nunca mais.”

Sobre fmvalmeida

Jornalista fascinado pela África, Esportes, Internet e tudo que esta profissão proporciona. Contato: fmvalmeida@yahoo.com.br Twitter: @fmvalmeida Facebook: /fmvalmeida
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