Educação – Malawi

Maioria masculina nas salas de aula, escolas sem condições completamente ideais e boa parte dos professores pouco capacitados. Essas características figuram em relatórios oficiais de vários países do mundo, principalmente africanos. No Malawi, esta é a realidade, com suas louváveis exceções. Porém, desde 1994 o ensino primário é gratuito, fato que vem aumentando a taxa bruta de matrícula no país. A educação malawiana trafega por caminhos tortuosos, mas ensaia uma melhora. A perfeição, obviamente, está a incalculáveis quilômetros de distância. Porém, esforços internos e ajudas externas auxiliam o crescimento desse fator tão importante.

O sistema educacional do Malawi tem suas semelhanças com o nosso brasileiro: por exemplo, há um primeiro – com oito anos – e segundo grau – com quatro anos – antes do ingresso à universidade. O ensino fundamental – primeiro grau, como você preferir – é totalmente pago pelo governo, mas fatores como materiais escolares, transporte e merenda dependem dos recursos de cada escola, sendo a última um ‘detalhe’ levado a sério, mas nem sempre cumprido a risca. Segundo a Secretaria de Assuntos Trabalhistas Internacionais dos EUA, menos da metade dos estudantes termina o ensino fundamental.

A maioria masculina pode ser pensada como consequência do casamento precoce das mulheres – na verdade meninas. Ao invés de frequentarem o colégio como deveria acontecer, elas ficam em casa cuidando dos afazeres domésticos. Isso aumenta também maior abandono de meninas.

O segundo grau é pago e os valores variam. Um ano pode custar de 50 a 250 dólares e depende de vários fatores como, por exemplo, ser particular ou pública, números de alunos por sala e capacitação dos docentes.

A metodologia em relação às notas segue um padrão antes desconhecido por mim. Elas vão de ‘um’ a ‘nove’, sendo a primeira a melhor. Com um ‘nove’, o aluno falha na disciplina, todavia, estranhamente, não precisa repetir aquela matéria no ano seguinte. ‘Oito’ e ‘sete’ são necessários para passar, mas indicam que o estudante não apreendeu tudo que lhe foi passado. Da nota ‘seis’ para baixo, ele ganha um crédito, que o ajudará a ser aceito em uma universidade e em um curso teoricamente melhores.

São cerca de 12 matérias lecionadas no colégio, sendo que o aluno pode escolher quais irá aprender. Matemática e inglês são as obrigatórias. Na grade estão as já conhecidas por nós brasileiros: matemática, geográfica, física, biologia, inglês, história, química e estudos sociais. Além do inglês como língua oficial, o Malawi adota também o chechewa, que é uma das matérias nas escolas. Francês, a língua de várias nações africanas é um adicional às 12 matérias. A grande diferença fica por conta da agricultura, life skills e business studies. Assim como as notas, a matéria agricultura aparece como uma surpresa interessante para mim.

Para ingressar na universidade não há uma única prova como o vestibular brasileiro. Os créditos conquistados e, claro, as melhores notas asseguram a vaga do aluno em uma instituição de ensino superior. Como exemplo, para entrar num curso de enfermagem são necessários, pelo menos, quatro créditos. Os custos novamente variam. Um ano do curso de saúde pública, por exemplo, pode custar cerca de 800 dólares, e um de educação aproximadamente 1200 em uma universidade no norte do país.

Sobre fmvalmeida

Jornalista fascinado pela África, Esportes, Internet e tudo que esta profissão proporciona. Contato: fmvalmeida@yahoo.com.br Twitter: @fmvalmeida Facebook: /fmvalmeida
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5 respostas a Educação – Malawi

  1. Adriana diz:

    A aula de agricultura é bem apropriada e coerente, eu imagino. Mas “life skills” é o melhor. Sabe que tipo de conhecimento é passado nessa disciplina?

    Beijos de novo

  2. Danielle diz:

    Orgulhinho do Zatanzinho!

    =]

  3. débora diz:

    Ei fê!!
    agora que eu vi que dava pra comentar seus textos.. hehe
    To curtindo muito.. mas queria ver fotos tambem! como que faz:
    Tomara que esteja acrescentando bastante ai pra voce e voce pra eles..
    Aproveite a viagem ao maximo! Até segunda!
    bjao

  4. life skills para meninas deve ser o que a minha mae e minha avó me ensinaram. Cuidar de casa, de menino pequeno, de comida e tudo mais que elas têm que fazer… não sobra tempo pra ser mulher ou se educar. Que beleza!

  5. Rodrigo Ferreira diz:

    “Life Skills Training” é o um tipo de treinamento que visa a preparação do jovem para lidar com assuntos críticos como drogas e afins, auto-controle, autocrítica, autoestima (e vários outros autos…) além de habilidades sociais como perder a timidez e fazer amigos. Esse tipo de treinamento é mais focado em meninas, que sofrem muito com uma sociedade regida por homens… Bem resumidamente, elas aprendem a dizer não.

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