O lixo tecnológico inunda a África – Unisinos

Texto retirado do Instituto Humanitas Unisinos

Para onde vão os celulares, computadores, microondas ou geladeiras velhos? O que acontece com esses aparelhos uma vez que os jogamos no lixo, mesmo no “reciclável”? O caminho que percorrem não está inteiramente claro, mas não há dúvida de que existem vários lugares no mundo onde este lixo tecnológico é acumulado há anos fazendo destes locais tão contaminados ou inclusive mais do que as próprias zonas de extração ilegal de produtos como petróleo, urânio e outros recursos altamente poluentes.

A reportagem é de Aurora Moreno e publicada no sítio La Marea, 20-04-2014. A tradução é de André Langer.

O exemplo mais claro é o chamado lixão tecnológico de Agbogbloshie, em Accra (Gana) onde, de acordo com alguns estudos, existe uma contaminação por chumbo, cádmio e outros contaminantes prejudiciais para a saúde que ultrapassa em mais de 50 vezes os níveis livres de risco. Dizia-o claramente um relatório de 2013 feito pela Green Cross Switzerland e o Blacksmith Institute no qual apontavam as 10 maiores ameaças tóxicas do mundo. Ou seja, os 10 lugares mais contaminados da Terra.

Um deles é este lixão, que compartilha esta triste honra com lugares como Chernobyl. Oficialmente, trata-se de uma ‘área de processamento de lixo tecnológico’. Um eufemismo para definir esta área para a qual vão milhares de toneladas de resíduos tóxicos para, em teoria, serem ‘processados’. A verdade é que até ali chegam, misturados, materiais de todo tipo – entre os quais se encontram geladeiras, microondas e televisores –, tão diversos e contaminantes que, “para reciclá-los de maneira segura requeriria um alto nível de competência e proteção dos trabalhadores”. Algo que claramente não existe em Agbogbloshie. E o pior é que esta zona não é apenas um lixão. É um assentamento informal no qual coexistem zonas industriais, comerciais e residenciais. Uma zona na qual os metais pesados expelidos dos processos de queima chegam às casas e mercados.

Segundo este mesmo relatório, Gana importa anualmente cerca de 215.000 toneladas de resíduos tecnológicos principalmente do leste europeu (…). Dessas, aproximadamente a metade pode ser reutilizada imediatamente, ou reparada e vendida, mas o resto do material é ‘reciclado’ de forma barata, à custa de contaminar a terra e prejudicar a saúde de quem trabalha com eles. Um exemplo paradigmático é o dos coletores de cobre, que queimam os materiais que recobrem os cabos a fim de obter o cobre. Para queimá-los, utilizam um tipo de espuma altamente poluente, jogando no ar todos os contaminantes.

Sucata, fogo e fumaça são o dia a dia em algumas zonas do lixão, onde trabalham sobretudo jovens sem recursos provenientes de famílias pobres, que dependem completamente do que obtiverem neste lixão. Pessoas que sabem que o trabalho ali é lixo, mas que não se queixam porque o que ali conseguem é melhor do que nada. Porque o material que ali obtêm podem vendê-lo depois pelas ruas de Accra e conseguir, assim, o necessário para sobreviver. Interessa também a outros: o centro de Accra está repleto de pontos que vendem a preço baixo todo tipo de aparelhos elétricos, boa parte deles de segunda mão. E a situação não se circunscreve apenas a Gana – que é, certamente, um dos países mais desenvolvidos do continente.

A mesma realidade afeta outros lugares, como Zimbábue, onde há pouco se chamou a atenção para uma possível crise ambiental, porque não dispõe de sistemas adequados para a eliminação deste tipo de resíduos. Tudo isso apesar da existência de tratados internacionais, como a Convenção de Basileia, que restringe os movimentos transfronteiriços de dejetos, e o acordo complementar ao assinado já em 1993, em Bamako, sobre o mesmo tema. Acordos que estabelecem condições, quantidades e critérios para verificar se a ‘exportação’ de lixo está sendo feito de maneira correta.

No entanto, para os países mais desenvolvidos sai muito mais barato desfazer-se deles em algum porto remoto da África do que seguir as estritas normas de reciclagem que eles mesmos se autoimpuseram, mas que quase ninguém cumpre. Para os países receptores, por sua vez, esta é uma suposta fonte de ‘riqueza’ da qual vivem muitos dos seus concidadãos, apesar dos riscos e problemas que traz para a saúde. Uma solução, em definitiva, que convém a muitos e que não é regulada adequadamente.

Dica de: Ana Luíza Matos de Oliveira

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Sudão do Sul – Próteses feitas com impressora 3D ajudam a ‘recuperar’ amputados da guerra

A ‘Not Impossible’s Labs’ é uma empresa da Califórnia que lidera uma louvável iniciativa: criar membros artificiais para melhorar a qualidade de vida dos indivíduos amputados que vivem no Sudão do Sul. O fator que diferencia estas próteses é que elas podem ser fabricadas por uma impressora 3D conectada a um computador. O processo para fazê-las leva seis horas e custa cerca de 100 dólares.

Daniel foi o primeiro a receber a prótese do projeto que levou seu nome

Daniel foi o primeiro a receber a prótese do projeto que levou seu nome

O primeiro beneficiado deste projeto foi um jovem de 16 anos chamado Daniel Omar. Ele vive com 70.000 pessoas no campo de refugiados Yida, no estado de Unity, no Sudão do Sul. Omar perdeu seus braços por culpa de uma bomba – mesmo protegendo-se atrás de uma árvore. Quando Mick Ebeling, fundador da Not Impossible’s Labs soube da história, ele traçou um plano para melhorar a qualidade de vida dos indivíduos afetados pela guerra que ainda acontece na região – Sudão se dividiu em dois países oficialmente em julho de 2011.

A iniciativa se chama ‘Projeto Daniel’ em homenagem a este jovem que teve a graça de provar o primeiro protótipo fabricado por uma impressora 3D. Em novembro do ano passado, Omar pode alimentar-se pela primeira vez em dois anos sem ajuda de uma pessoa externa, graças a seu braço artificial. O material de fabricação é o plástico.

O projeto conta com a colaboração de profissionais de várias especialidades como Richard Van As, o criador da Robohand, uma companhia que fabrica dedos, mãos e braços robóticos com a ajuda de impressoras 3D, e Brook Drumm, o fundador da Printbot, uma firma que fabrica impressoras 3D. O ‘Projeto Daniel’ tem como principais apoiadores tecnológicos a Precipart Corporation e a Intel.

A ‘Not Impossible’s Labs’ ganhou fama mundial em 2010 quando apresentou um óculos que permite que pessoas com paralisia se comuniquem com os olhos. É chamado de Eyewriter e foi eleito como um dos 50 melhores inventos do ano pela revista Time.

 

 

Traduzido de: El Tiempo – Empresa CREA próteses de 100 dólares com impresora 3D

Fontes: *PSFK – How 3D-printed prosthetics are giving life back to african amputees

* Not Impossible’s Labs

Dica de: Ronan Sato

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Malawi dá ‘exemplo’ ao Brasil após confusão nas arquibancadas

O Campeonato Brasileiro 2013 terminou com uma batalha fora dos gramados – briga entre torcedores de Atlético-PR e Vasco nas arquibancadas da Arena Joinville. Infelizmente, fato comum pelo mundo, mas que no Brasil acaba não resultando em punição para os clubes – ou, pelo menos, com penas brandas –, como aconteceu na última temporada para Atlético-PR e Vasco.

Longe daqui, no Malawi, a competição nacional de futebol quase não teve fim pelo mesmo motivo, mas com sequelas diretas ainda mais graves: um morto e 20 feridos, sendo seis gravemente, além de agressões a jornalistas, na partida entre Mighty Wanderers e o campeão Silver Strikers – o torneio teve fim em 18 de fevereiro, veja mais abaixo. O intuito não é comparar as tragédias acontecidas fora do campo, mas sim as consequências geradas em função deste fato para os clubes – seja isto positivo, ou negativo.

No país africano, depois de um mês e meio de embates na justiça – veja mais detalhes abaixo –, Wanderers e Strikers foram multados em R$ 2.700 e R$ 9.200, respectivamente, e com punição a ser cumprida na próxima edição da Super League (campeonato nacional) com perda de pontos – 6 para os Wanderers e 9 para os Strikers.

Vale lembrar que a vexatória pancadaria entre as torcidas de Atlético-PR e Vasco na última rodada do torneio terminou com quatro feridos, 31 torcedores denunciados no caso – sendo que 20 já foram soltos – e uma frustrada revolta vascaína na justiça com o intuito de permanecer na elite do futebol nacional. No país africano duas prisões de torcedores envolvidos na confusão foram feitas, mas nada foi noticiado sobre a atual situação destas pessoas.

Conheça o caso completo no Malawi

A partida entre Mighty Wanderers e Silver Strikers teve início em 28 de dezembro de 2013, mas foi concluída apenas no dia 18 de fevereiro do ano seguinte. Os Bankers – como é conhecido o Silver Strikers – precisavam de apenas um ponto na última rodada do torneio disputada no fim dezembro para serem campeões nacionais; eles venciam por 1 a 0 quando, aos 16 minutos do segundo tempo, uma confusão nas arquibancadas interrompeu o jogo. Resultado: um morto e 20 feridos.

Resumindo, dois replays foram marcados para os dias 5 e 26 de janeiro e boicotados, enquanto as punições na escala jurídica também eram alteradas – começando com suspensões e grandes multas e tendo fim com penas financeiras menores e perdas de pontos no próximo torneio – mais detalhes nos links abaixo.

Um novo jogo teve início – e não desde os 16 min do 2º tempo – no dia 18 de fevereiro e vencido pelo Silver Strikers por 2 a 1, fato que finalmente o declarou campeão da temporada.

Fontes: *RSSSF –Super League Malawi 2013/14

* Times Media MW – Silver Strikers retain TNM Championship

* Malawi Voice – Silver Strikers FC press statement on violence (detalhado relato sobre a confusão no Malawi)

* Eltas Zone – Sulom suspends Silver Strikers and Mighty Wanderers over Balaka deadly violence

*BBC – Silver Strikers win Malawi league as season finally ends

* BBC – Fan dies and 20 injured in Malawi football violence

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Burkina Faso – O africano que ‘combateu’ o deserto e criou uma floresta

Crédito: Andrea Borgarello/TerrAfrica

Crédito: Andrea Borgarello/TerrAfrica

Uma simples técnica com um resultado incrível. A história de Yacouba Sawadogo é inspiradora e, assim como é o desejo deste senhor de Burkina Faso, deve ser contada em todos os cantos do mundo. Não acredito que seja exagero dizer que este homem foi capaz de fazer crescer uma floresta em um solo originalmente pobre e tornou-se referência quando o assunto é a luta contra a desertificação no planeta.

A trajetória de Sawadogo teve início na década de 1980. Diante da baixa produtividade do solo onde plantava, ele resolveu testar uma antiga técnica de longo prazo trazida da região de Dongo, no Mali, – chamada ‘Zai’ – e conseguiu avanços significativos que o animaram a continuar com sua ideia.

Crédito: Reprodução/Perierga.gr

Crédito: Reprodução/Perierga.gr

Depois de aproximadamente 20 anos, ele tinha uma terra com índice maior de produtividade e uma floresta de 30 hectares, com mais de 60 espécies de árvores.

O resultado surpreendente chamou a atenção do cineasta Mark Dodd, que decidiu espalhar a palavra através de um documentário para narrar a história do ‘Homem que parou o deserto’. Com a difusão de seu trabalho, Sawadogo passou a dar palestras pelo mundo – chegando a, inclusive, ser convidado pela ONU para falar na convenção sobre combate a desertificação no planeta – e ganhou apoio/doações para continuar seus experimentos, como a técnica de escoamento lento, que leva água de poço à terra.

O método: Zai

O ‘Zai’ consiste em recuperar solos pobres do Sahel, chamados de ‘Zippelle’. O início da técnica consiste em fazer buracos circulares com 20 a 40 cm de diâmetro e 10 a 20 cm de profundidade – as dimensões variam de acordo com o tipo de solo. Os orifícios são feitos durante a estação seca – entre novembro e maio, em Burkina – e o número de crateras no solo varia de 12.000 a 25.000 por hectare.

Crédito: Reprodução/Perierga.gr

Crédito: Reprodução/Perierga.gr

Estes buracos são preenchidos com adubos e fezes de animais – recomendado 0,6 kg por buraco – e, após a primeira chuva, deve-se cobrir cada cratera com uma fina camada de terra depois de colocar as sementes. Com isto, cada buraco serve como um funil para reter a umidade e os nutrientes durante a estação seca e evitar que as sementes sejam levadas pela chuva, perdendo sua eficácia.

De acordo com um artigo reproduzido pelo Banco Mundial, a técnica ‘Zai’ pode aumentar a produção em 500% se executada da maneira correta.

O vídeo logo abaixo relata as conquistas e as dificuldades enfrentadas por Yacouba Sawadogo após o lançamento do documentário, e mostra como é feita a técnica ‘Zai’ e seus resultados.

Ainda mais abaixo confira o rápido – apenas 4 minutos e 29 segundos – documentário sobre Yacouba Sawadogo, o ‘homem que parou o deserto’.

Crédito: Reprodução/Perierga.gr

Crédito: Reprodução/Perierga.gr

*Como fazer – 4:50-5:20

*Resultado primário – 5:30

*Árvores crescendo – 6:07

*Árvores mais crescidas – 6:58

*A floresta de Sawadogo – 9:17

 

 

– O Homem que parou o deserto (The Man who stopped the desert)

 

Fontes: * Mega Curioso – Homem consegue fazer uma floresta crescer em pleno deserto

* World Bank – Burkina Faso: the Zaï technique and enhanced agricultural productivity

* TerrAfrica – The Man Who Stopped the Desert

* 1080 Film & Television – What Yacouba did next…

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Circuncisão feminina: até quando? – Brasil Post

Matéria de Gabriela Loureiro para o Brasil Post

Há 125 milhões de meninas e mulheres com seus órgãos genitais cortados ou costurados e outras 86 milhões devem passar pelo mesmo tormento até 2030 sob justificativas “culturais”.

A informação é da Organização das Nações Unidas (ONU), que está em campanha nesta quinta-feira (6) por ocasião do Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina.

Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU, afirma que não há motivo religioso, da ordem da saúde do do desenvolvimento para mutilar uma menina ou uma mulher.

Segundo a ONU, a mutilação genital feminina (MGF) é mais aplicada em meninas de até 15 anos. A prática é mais arraigada em 29 países da África e Ásia.

Uma das justificativas mais comuns para a mutilação genital feminina, também chamada de circuncisão feminina, é a de que a prática reforça a virgindade, castidade e fidelidade em mulheres. Segundo um relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) divulgado no ano passado, a maioria das razões apresentadas por homens e mulheres foram higiene, aceitação sexual, melhores propostas de casamento, para preservar a virgindade, mais prazer sexual para o homem e aprovação religiosa. Entre as mulheres, a razão mais apresentada foi aceitação cultural, como parte de um “ritual de formação das mulheres”.

No Egito, onde 91% das mulheres com idades entre 15 e 49 anos, tiveram parte ou toda a parte externa da vagina cortada, a justificativa é estética. Segundo a ativista Efua Dorkenoo, advogada da luta contra a prática pela Equality Now, a parte externa dos genitais femininos são vistos como algo feio e sujo que precisa ser removido. Em algumas áreas do Egito, as pessoas acreditam que, se não for retirado, o clitóris pode crescer e ficar parecido com um pênis.

No âmbito religioso, grupos muçulmanos que praticam a mutilação dizem que é uma obrigação religiosa, ainda que não esteja no Corão. Também não é uma exclusividade dos muçulmanos, há grupos católicos e indígenas que também defendem a prática.

A MGF continua quase universal em países como Somália (98% das mulheres), Guinea (96%), Djibuti (93%) e Egito (91%), e houve pouco declínio perceptível no Chade, Gambia, Mali, Senegal, Sudão ou Iêmen, segundo o estudo. Por outro lado, o relatório sublinha que a prática está em queda.

Em 2008, a ONU lançou um programa em 15 países africanos para acabar a prática através da educação e com um enfoque cultural. Nos primeiros cinco anos do programa, mais de 10.000 comunidades renunciaram à prática, também chamada de ablação e a porcentagem de mutilação baixou 53%. Nos últimos anos, países como Uganda, Quênia e Guiné-Bissau aprovaram leis contra a mutilação genital feminina.

Nesta quinta, a ONU promove uma campanha no Twitter contra a MGF, com a hashtag #endfgm. Organizações, instituições de caridade e veículos de imprensa estão engajados na causa, pedindo assinaturas em petições contra a circuncisão.

O que é: qualquer procedimento que envolve remoção parcial ou total da parte externa da genitália feminina, ou qualquer ferimento aos órgãos genitais femininos por motivos que não sejam médicos. É reconhecido internacionalmente como uma violação aos direitos humanos de meninas e mulheres e reflete a profunda desigualdade entre os sexos.

Há quatro tipos de circuncisão: remoção parcial ou total do clitóris e prepúcio do clitóris; remoção parcial ou total do clitóris e dos lábios menores, tirando ou não os lábios maiores; diminuição do orifício vaginal cortando e costurando os lábios maiores ou menores para criar uma espécie de “selo”, e perfurações, entalhamento, raspagem e cauterização sem fins médicos.

 

Fonte: Circuncisão feminina: até quando? – Brasil Post

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African Story Challenge: subsídios para jornalistas africanos contarem sobre o desenvolvimento do continente

Matéria do IJNet de Jessica Weiss*

Uma nova série de duas partes na Citizen News TV do Quênia mostra profundamente a Somália devastada pela guerra. Mas, em vez de se concentrar em política ou terrorismo, o repórter Alex Chamwada e o cinegrafista Moisés Mwakisha focaram em uma atividade menos conhecida no país: a agricultura em grande escala e seu impacto na segurança alimentar.

Segundo ciclo do concurso será sobre 'Doenças: prevenção e tratamento'

Segundo ciclo do concurso será sobre ‘Doenças: prevenção e tratamento’ (Fonte: Africanstorychallenge.com)

A reportagem “Somalia’s Food Basket” (Cesta de comida da Somália), que foi transmitida em horário nobre no canal popular, é uma das 20 histórias sobre agricultura e segurança alimentar que foram produzidas como parte do African Story Challenge, um programa de dois anos com subsídios para reportagens investigativas, digitais e baseadas em dados sobre questões fundamentais para o desenvolvimento e saúde africano. A African Media Initiative (AMI) lançou o concurso em maio, com o apoio da Fundação Bill e Melinda Gates, o Banco Africano de Desenvolvimento e a Aliança para uma Revolução Verde na África (AGRA, em inglês).

“Na África, há uma espécie de frustração ou desconexão entre o que as pessoas querem ouvir e o que é publicado”, diz Joseph Warungu, bolsista do ICFJ Knight International Journalism Fellowship que está ajudando a dirigir o concurso pela AMI. “A mídia está focada na cobertura política, mas se você perguntar às pessoas comuns em qualquer país [na África ] sobre suas prioridades, dizem que [são] saúde, segurança, água.”

Editores e operadores de mídia muitas vezes argumentam que as reportagens sobre questões de desenvolvimento requerem esforço e recursos que simplesmente não estão disponíveis. Portanto, o desafio está oferecendo a repórteres doações de US$2.000 a US$20.000, além de treinamento e orientação para ajudá-los a refinar suas ideias.

O concurso tem cinco ciclos temáticos: agricultura e segurança alimentar; doenças: prevenção e tratamento; minha África 2063 (histórias focando no futuro do desenvolvimento da África ); saúde materna e infantil; e negócios e tecnologia. Depois de uma chamada para apresentação de propostas, os jornalistas enviar ideias de matérias, que são aceitas em árabe, inglês, francês e português. Um painel seleciona as 20 melhores ideias. Os candidatos participam de boot camps de treinamento, onde podem refinar as suas ideias e aprender sobre jornalismo de dados e outras técnicas avançadas de reportagem. As matérias, em seguida, passam por um painel independente de jurados, que selecionam a história vencedora. Warungu diz que cerca de 100 matérias receberão bolsas ao longo da competição.

Matérias do primeiro ciclo, atualmente em fase de julgamento, focam em temas como subsídios para fertilizantes na Nigériadesigualdade de terra na África do Sul e métodos de preservação de plantio tradicionais vs. modernos em Camarões. A maioria das histórias publicadas, como a matéria sobre a Somália, recebeu destaque na organização de mídia do participante.

“Nós não podemos substituir esportes ou política, mas queremos dar alguma ênfase a outras questões e usar o poder da mídia para elevar o diálogo sobre o desenvolvimento da África”, diz Warungu. “Essas reportagens estão provando que a história do desenvolvimento pode ser contada de maneira interessante que atrai o público africano.”

Como parte fundamental do desafio, os participantes são incentivados a utilizar os princípios e técnicas de boas narrativas. Warungu diz que todas as histórias devem ter personagens em seu núcleo e dar voz às pessoas comuns. Os participantes devem também fazer uso de dados , técnicas de investigação e pesquisa profunda. Ao incluir as vozes de especialistas, jornalistas são incentivados a evitar o uso de jargão confuso, assim as matérias são acessíveis a todos os públicos.

Os vencedores do ciclo agrícola serão anunciados no dia 7 de novembro em Addis Ababa durante o African Media Leaders Forum. Antes dos vencedores serem anunciados, Warungu vai liderar um painel de discussão sobre o papel da mídia em ajudar a África a fornecer mais e melhor comida de maneira segura e acessível à sua população crescente.   O segundo ciclo concurso, doenças: prevenção e tratamento, está com as inscrições abertas até 3 de novembro.

Para mais informações, visite http://africanstorychallenge.com/.

* Jessica Weiss, ex-editora-chefe da IJNet, é uma jornalista freelancer com base em Buenos Aires.

Dica do: Evaldo Magalhães

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Startup africana conecta artesãos locais ao comércio mundial usando SMS e e-commerce

Usando apenas um celular, artesãos de países desenvolvidos podem vender diretamente, sem intermediários, seus produtos para qualquer pessoa do mundo. É com base nesta ideia que a startup queniana SOKO vem se destacando e sendo reconhecida cada vez mais.

Apesar da maioria de mulheres, homens também dão as caras na SOKO

Apesar da maioria de mulheres, homens também dão as caras na SOKO

A crescente influência do celular na vida da população africana [como vista no documentário postado aqui no Destino África] é o alicerce desta startup para desenvolver seu trabalho ajudando artesãos locais a expandir/internacionalizar a sua rede de possíveis compradores.

O processo é, teoricamente, simples. Por meio do SMS, o artesão é capaz de criar um perfil/mercado online no site da SOKO. Também via mensagem de celular, este produtor envia fotos de suas manufaturas e recebe via “mobile money” o dinheiro de consumidores de várias partes do mundo. Ou seja, isto tudo sem a necessidade de computador, internet ou conta no banco.

O vídeo promocional da Soko foca apenas nas artesãs, mas, no site, homens também dão as caras com suas manufaturas. Infelizmente, consumidores do Brasil ainda não conseguem adquirir os produtos.

Fontes: * Startup BRICS – 3 startups à découvrir cette semain: SOKO, Samba Tech & Lamoda

* SOKO – Shopsoko.com

Dica de: Pedro Filizzola

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